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O Brasil sofre econômica e socialmente com a articulada campanha internacional de propaganda negativa visando barrar a entrada de etanol nos mercados europeu e norte-americano.  A imprensa internacional, por um misto de sensacionalismo, ignorância e laços mais ou menos estreitos com o establishment, é o agente propagador deste processo que ataca a imagem do nosso programa de fontes renováveis de energia.  Os argumentos utilizados com maior freqüência são de ordem trabalhista, social e ambiental.

 

A realidade da relação econômica e trabalhista dos empregados do setor sucroalcooleiro é completamente diferente da imagem popular do bóia-fria explorado.  Hoje existe um êxodo de mão-de-obra de atividades tradicionais de lavoura e pecuária para o trato de cana-de-açúcar.  A razão é simples: ganha-se muito bem no corte da cana: entre R$ 1.000,00 e R$ 2.500,00 reais mensais, mais do que o dobro do que se ganha em atividades convencionais.

 

As supostas exploração e degradação do trabalhador são uma ficção muito fácil de falsamente ilustrar com imagens e relatos da dureza do trabalho no corte da cana.  Some-se a isto alguns episódios raríssimos de condições de semi-escravidão encontradas com cada vez menor freqüência, e cria-se a ficção do trabalho escravo como mola propulsora da indústria.  Verdade que o trabalho é duro, mas não é indigno nem tampouco perigoso, e absolutamente não é escravidão.  O trabalho na industria sucroalcooleira está rankeado quase na cincocentésima posição (491) em risco entre as profissões no Brasil. 

 

Finalmente, aproveita-se o fato de que, apesar da significativa redução do volume de queima de palha de cana-de-açucar nos últimos anos, a total erradicação deste arcaico processo de colheita ainda levará ainda algumas safras.  É necessário que a industria se equipe para tal.  As imagens de queimadas são deliberadamente confundidas com desmatamento de floresta amazônica no esforço de confirmar o rótulo de “etanol sujo” que, infelizmente com sucesso, a Europa vem usando para mentirosamente referir-se ao nosso produto.

 

Assim, as lideranças políticas e industriais dos países mais desenvolvidos conseguem, sem interferência da OMC, atrapalhar o nosso crescimento, desenvolvimento e o livre comércio, que tanto os beneficia.   É fundamental que articulemos nós mesmos uma campanha visando esclarecer perante os públicos nacional e internacional os verdadeiros benefícios, sociais, econômicos e ambientais do nosso programa de biocombustíveis.  A melhor maneira de fazermos isto é produzindo literatura jornalística e, principalmente, programas de televisão e documentários para neutralizar os esforços de anti-propaganda que tanto nos impedem de exportar.